Essa noite, não sei bem ainda porque, faltou luz numa região do meu bairro. Toda vez que falta energia, eu acordo imediatamente. Isso porque o ventilador para de girar. Daí, sempre levanto da cama e ando cambaleando para o quarto dos meus pais conferir se a energia realmente acabou ou meu ventilador pifou. Eu não sei porquê bem ao certo, mas sinto muita aflição de ficar sem energia elétrica. E me acalma imensamente saber que na rua de atrás tem luz. É como se o mundo não tivesse acabado por completo da escuridão. Coisas pra terapia individual, quem sabe.

Mas o que mais irrita mesmo é o barulho do silêncio. É nessas horas que se percebe o quando tem barulho em volta. Aquele zunido é de uma perturbação tão grande que eu tenho que tentar ao máximo não me concentrar nele.

Eu sou acostumada a ouvir. Seja lá o que for. Embora eu passe muito tempo em silêncio, ouví-lo não é para mim. Para minha profissão, esse ato de ouvir, escutar, é bastante importante e acabo exercitando isso demais, seja nos atendimentos, nas entrevistas, nas discussões, etc.

O problema – é que eu sempre vejo alguns problemas, percebeu? – é que, quando alguém ouve em demasia, acaba falando de menos. E eu, como todo mundo, que tenho 1 boca e 2 ouvidos, acabando falando/ouvindo na mesma proporção: 1/2. Se ouvir é um exercício, falar também é, e talvez eu esteja precisando de umas boas 3 séries de 30 para compensar a atrofia nesse músculo.

Eu até fico me perguntando o porquê de uma simples falta de energia momêntanea – porque durou menos do que 2 horas – me fez pensar tanto assim… talvez eu devesse bem comprar uns tampões de ouvidos e escutar o silêncio mais um pouco. Mas só um pouco, porque no resto, quem vai falar sou eu.

A falta de luz também me fez lembrar desse clip. É um clip gravado num local remoto (segundo procurei na web, em Greenland – Arkansas), que poderia facilmente ser caracterizado como silencioso, o que não é nem um pouco depois que eles começam a tocar. Gosto também do movimento e desaceleração.

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