Para os dias sem escrever há desculpas. Mil, milhões. Talvez nenhuma valha a pena. Culpa de uma tempestade.

De qualquer forma, sempre fui formada de tempestade. Contidas, claro. Poucos são os que presenciaram as chuvas e os relâmpagos. Os que viram ficam encabulados, não sabem o que fazer.

São tempestades de alegria as vezes. Muito pouco notificadas, mas há. A maioria são notificadas, vistas, presenciadas por quem não sabe o que está acontecido. E acaba sempre surpreendido com uma explosão de sorriso sem explicações no ônibus lotado. Os anônimos não sabem o que está acontecendo.

As tempestades são as manisfestações mais genuínas da minha natureza. Como uma paisagem tropical. Aliás, bem parecida: quase nada desbravada. Tantos espaços, recantos, grutas, montanhas, mares e rios há serem descobertos. Por mim, inclusive.

As tempestades começam o cimo do corpo. A na cabeça surge a explosão. O raios e relâmpagos percorrem todo o corpo. É daí que surgem todas as sensações novas e conhecidas, os pensamentos, os conhecidos brainstorms… ao contrário do que pode parecer, no choro e no desespero são quando muitas coisas se tornam mais lúcidas. Na tempestade dos ônibus da grande vitória é aonde escrevo os textos e poesia mais belas. É aquilo que dizem: genialidade da loucura. Tão real.

A contenção termina no momento que a explosão acontece nos olhos. É aí que eu realmente começo a chover. Trovejo. Há terremotos, maremotos. E vem a paz. A calmaria. Coisas da natureza: não se sabe até quando.

(Uma pequena observação: primeiro texto escrito na crise. Crise é essencial. )