Eu me lembro de que, quando era criança, eu gostava muito de quebra-cabeças. Para falar a verdade, eu ainda gosto muito de quebra-cabeças. O problema é que eu cresci e o tempo dos puzzles acabaram, e eu agora quebro a cabeça com outras coisas.

A minha inclinação à encaixes desde criança talvez seja um prenúncio de umas das coisas que mais me incomodam e incomodam a tantos outros: não encaixar.

Observando as crianças no meu lugar favorito de Vitória (foto acima) percebi o quanto excluir e deixar à parte funciona. Quem não obedecia a tia, ficava sentada no banco – meu banco – e não podia participar, se encaixar na brincadeira com as outras crianças…

Isso me fez pensar nas minhas próprias peças perdidas de quebra cabeça. A quantidade de peças que eu tentei encaixar mas que não serviam, porque eram peças maiores e eu ficava vagando no espaço vazio ou eram pequenas demais, e eu devia me espremer por entre os vãos até me encaixar.

Já experimentou encaixar uma peça errada e, ao fazer força, todas as outras se espalharem? Era assim mesmo: eu acaba, por fim, despedaçada.

Desde então, o problema não tem sido achar outras peças de outros quebra-cabeças para encaixarem-se a mim. E sim procurar quais das minhas próprias espalhadas  se encaixam corretamente no quebra cabeça de mim.

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