Depois de enfrentar a incrível fila que dava voltas pelo pátio do cinema, consegui fazer a moça entender que eu estava comprando dois ingressos para dois filmes diferenntes e que, sim, eu veria os dois sozinhas. Isso me atrasou um bocado mas consegui chegar a tempo para A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!).

É muito bom ver filmes assim no cinema porque eu não me sinto uma completa loser – assim como a moça me fez sentir por estar sozinha. Vi várias outras pessoas espalhadas, aguardando silenciosamente o início do filme. Dessa vez, a Rádio Trama não estava funcionando, e não pude ouvir pela décima vez a música que eu adoro e nunca consigo ouvir de quem é e aquela outra da Gal Costa.

Faltava uns 3 minutos para o filme começar e me entra uma mulher com 3 crianças. Eu me perguntei se era possível eles acharem que por causa da garotinha no cartaz isso era filme de criança. Burrice demais. Mas foi só começar a aparecer os nomes franceses que a turma toda se levanta e vai embora.

A comédia sem dúvida é fantástica. Os mais próximos sabem o quanto é difícil me fazer rir na frente de uma tela luminosa, mas era simplesmente impossível permanecer com lábios inertes diante dos disparates de François e do mau humor e constatações de Anne (que fez-me lembrar tão bem de mim mesma na minha infância).

O próximo filme foi Wall.e. Confesso: completamente atrasada, mas visto no cinema. A entrada é completamente diferente. Cinema lotado, cheio de crianças, pessoas ouvindo funk (já disse o quanto odeio esse celulares com mp3 baratos?) e tanta pipoca no chão. Depois de conferir perólas como crianças de coroas e boinas e ouvir um incrível diálogo sobre o cadarço do Adidas, começo a orar para que o cinema fique calado quando o filme começar. Mas percebo uma excelente qualidade em filmes com maioria infantil na platéia: são pequenos, e nunca tem um cabeção na minha frente.

Quanto ao filme, eu não vou perder muito meu tempo falando sobre ele porque todo mundo já babou, morreu, chorou e deu 5 estrelas. Eu, claro, chorei em menos de 10 minutos do filme. E nem preciso dizer que chorei de novo quando ouvi La vie en rose na voz de Louis Armstrong e me deparar com uma animação quase ecologicamente correta. Assisti a uma das comedias romanticas mais nerd possível (quer mais nerd do que se identificar com um robô?) e fiquei igual as crianças: vibrando e torcendo para wall.e conquistar eve.

Como se não bastaste, a Disney ainda me coloca um outro HAL no filme e me toca a música tema de 2001 quando o Capitão começa a andar! E nem preciso dizer que quase morri quando vi as pinturas estilo Van Gogh nos créditos finais. Com os girassóis! Pefeito.

No final, a combinação da comédia francesa e o draminha da Pixar provocaram tamanha poesia que demorei alguns minutos para digerir tudo isso. Tanto que não conseguir ouvir nada no trajeto de volta pra casa. Nem mesmo os Srs. Bird e Rice.