amor



Le Petit Prince
Upload feito originalmente por Daniel Nérso

“Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo… […] Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

[…]

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo …
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
– Por favor… cativa-me disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo,
cativa-me!”

Leitura obrigatória a todo ser humano que ama. clique aqui:

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Sou
Nós

Sou nós
Sou só
Só nós
Sou nós.

Sou só nós.

Sou só eu ou essa música é linda demais? CD novo do Marcelo Camelo dispensa apresentações.

update: para os mais radicais, eu sei que isso não é um hai-kai, mas não consegui pensar em um nome melhor.

Tive um professor no semestre passado que dizia que, para sermos bons psicólogos, deviámos passar por várias situações, experimentar a vida, e aí conseguiríamos entender melhor as vivências de nossos pacientes. Ele recitava uma frase de uma canção que já não me lembro a melodia mais que dizia “você sabe o que é ter um amor, meu senhor, e por ele quase morrer?“. E eu sempre dizia por dentro “sim, eu sei”.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você realmente morrer, aquele que a Amy canta que morreu já umas cem vezes, mas que ao contrário da outra canção, as lágrimas não se secam por elas mesmas. Aquele que, bem diferente, faz chorar sempre sentada na pedra mais alta ao sol, tomando banho de vento, ouvindo o querido Mr. Rice sussurrando desesperado this has got to die, this has got to stop mas que você sabe que nunca vai conseguir colocar someone else on top.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você não vislumbra ser feliz nem em abril, em Paris, nem em outono no rio. Aquele que é quase impossível let in la vie en rose.  Aquele que te faz chorar com trilha sonora de filme da Disney e se emocionar relembrando frases decoradas de filmes, mesmo que eles não sejam romanticos…

Ter um coração partido é dolorido e belo: ao menos, me aproximo mais dos poetas. Para ser poeta – ou toda poesia – amores não correspondidos são necessários. Espanca que o diga.

O que me acalenta é que as coisas que eu não tenho para quem dizer ao menos servirá para alguma coisa. Aqueles queridos futuros pacientes poderão ter em mim o ouvido do amigo que foi embora. E quando eles perguntarem “você sabe o que é ter um amor, doutora, e por ele quase morrer?” eu vou poder sorrir e dizer “sim, eu sei”.

Ilustração: Tara McPherson

Quem observava aquele moço dormindo na calçada, envolvidos em farrapos não acreditaria se eu lhe dissesse que aquele pobre homem um dia havia sido um homem de negócios. Daqueles de terno e gravata, com barba feita e perfume importado. Daqueles com um carro de ar condicionado e direção hidráulica, bem sucedido e sem amor. O típico empresário.

Não era satisfeito porque havia falta. Sentia dor no pobre coração, que pulsava acelerado na academia às dez horas da noite, o único horário que havia disponível. Não tinha amor.

E por não ter amor, começou a andar distraído, olhando para o céu, admirando o seu infinito azul. Descobriu sozinho que o céu não é só azul e que as nuvens não só são brancas. Há cores nas nuvens, e nelas via branco, cinza, amarelo, laranja, vermelho… assim como o namorado descreve com precisão os olhos da namorada, esse homem conseguia esmiuçar as cores do céu.

Mas o céu, por ser muito longe, era paixão platônica demais, e o pobre coração batia sofrido calado no peito. E de tanto olhar para o céu, os pés perderam o caminho e tropeçaram na calçada sendo reformada próxima aonde seu carro estava estacionado. Na noite, aquele homem contemplou o asfalto.

O asfalto a luz da noite brilhava com tantos pontinhos luminosos dos reflexos das estrelas e da luz, dos faróis do carros e do semáforo que lembrou-se instantaneamente da cantiga que ouvia na sua infância. Cantarolou “se essa rua, se essa rua fosse minha…”.

Tomado de tamanha compaixão, decidiu morar por ali. Não sei que pensamentos lhe ocorrem naquele instante e quando o perguntei mais tarde, só me disse: apaixonei.

E desde então, dorme os dias quentes na calçada e permanece acordado a noite, suportando o frio contemplando sua luminosa amada.

Por não alcançar os céus, preferiu manter os dois pés no asfalto e se entregar.

* Inspirada na canção “Ana e o mar”, do Teatro mágico. Você consegue ouvi-la e adquiri-la gratuitamente aqui.

Hoje muitos teimam que não passa um dia inventado pelo capitalismo para se comprar presentes. Bem absurdo reduzir qualquer dia propício a manifestação de amor/carinho a consumismo desenfreado. Aqueles que acreditam nisso, nem deveriam ter namorados.

Vi hoje em um programa esportivo que o dia 12 é um dia de “renovação do amor, mais uma data para renovar votos”. Acho totalmente válido. A universidade está vazia porque pessoas muito mais felizes estão nesse momento de entregando à carinhos e deixando-se serem amados. Esses são mais felizes…

Eu não tenho dor de cotovelo por estar sozinha hoje, mesmo desejando ter o alguém ao meu lado. Se você tem, o que raios você ainda está fazendo lendo isso aqui?

Àqueles que são mais felizes. Amem demais.