eu


Sou
Nós

Sou nós
Sou só
Só nós
Sou nós.

Sou só nós.

Sou só eu ou essa música é linda demais? CD novo do Marcelo Camelo dispensa apresentações.

update: para os mais radicais, eu sei que isso não é um hai-kai, mas não consegui pensar em um nome melhor.

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Tive um professor no semestre passado que dizia que, para sermos bons psicólogos, deviámos passar por várias situações, experimentar a vida, e aí conseguiríamos entender melhor as vivências de nossos pacientes. Ele recitava uma frase de uma canção que já não me lembro a melodia mais que dizia “você sabe o que é ter um amor, meu senhor, e por ele quase morrer?“. E eu sempre dizia por dentro “sim, eu sei”.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você realmente morrer, aquele que a Amy canta que morreu já umas cem vezes, mas que ao contrário da outra canção, as lágrimas não se secam por elas mesmas. Aquele que, bem diferente, faz chorar sempre sentada na pedra mais alta ao sol, tomando banho de vento, ouvindo o querido Mr. Rice sussurrando desesperado this has got to die, this has got to stop mas que você sabe que nunca vai conseguir colocar someone else on top.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você não vislumbra ser feliz nem em abril, em Paris, nem em outono no rio. Aquele que é quase impossível let in la vie en rose.  Aquele que te faz chorar com trilha sonora de filme da Disney e se emocionar relembrando frases decoradas de filmes, mesmo que eles não sejam romanticos…

Ter um coração partido é dolorido e belo: ao menos, me aproximo mais dos poetas. Para ser poeta – ou toda poesia – amores não correspondidos são necessários. Espanca que o diga.

O que me acalenta é que as coisas que eu não tenho para quem dizer ao menos servirá para alguma coisa. Aqueles queridos futuros pacientes poderão ter em mim o ouvido do amigo que foi embora. E quando eles perguntarem “você sabe o que é ter um amor, doutora, e por ele quase morrer?” eu vou poder sorrir e dizer “sim, eu sei”.

Ilustração: Tara McPherson

Oi, azar todo seu de me conhecer. Meu nome verdadeiro é Laís, mas eu tenho mais pseudônimos do que poeta/escritor famoso: Lá, Lalá, Lacan, Laiana, Estranha, Gorda (não pergunte)… antes que fique estranho, melhor parar por aqui.

Eu sou mais sexy do que confiável, segundo meus amigos de orkut. Acho isso uma baixaria.

Eu nasci com ínumeras práticas totalmente desapropriadas de sentido mas que, ao não fazê-las, tudo fica sem sentido mais ainda. Então exemplos aqui demonstrariam demais como minha mente sã funciona. Mas toda minha família é neurótica. Somos tão neuróticos e sentamos à mesa todos os dias nos m-e-s-m-o-s lugares. Mesmo que aquele que senta no lado esquerdo não esteja na mesa. Não importa. Neurose.

Pra quem cursa psicologia, eu sou doida o suficiente. Minha irmã acha que o único hit na vida do Michael Sembello é a minha música. Vai saber.

Música, aliás, é um problema. Eu fico triste quando algo que eu escuto não vai pro last.fm. Não passo uma semana sem ouvir um artista novo porque eu enjoo fácil, e não passo uma semana sem ouvir àqueles que eu amo, porque sou apaixonada.

Sou uma artista frustada porque eu nunca consegui pintar um quadro realmente bom, daí preciso me contentar contemplando as preciosidades dos outros.

Se eu pudesse ser outra pessoa, eu seria várias. Mas seria toda a Audrey Hepburn.

Sei imitar a Maísa com semi-perfeição e adoro quem sabe imitar o Pato Donald.

Até eu mesmo não sei como eu consigo achar os videos mais retardados do Youtube e o porquê de ter dois e-mails e dois comunicadores instantâneos.

Nunca entendi porque o indie virou brit-rock, indie agora é alternativo, porque raios acham que eu sou emo e porque as pessoas insistem em comer jaca.

E quando eu terminar a faculdade, eu vou me aposentar, porque já trabalhei demais.

Eu apaguei no perfil, mas não queria perdê-lo. Usando o blog como arquivo, sabe como é…

Depois de enfrentar a incrível fila que dava voltas pelo pátio do cinema, consegui fazer a moça entender que eu estava comprando dois ingressos para dois filmes diferenntes e que, sim, eu veria os dois sozinhas. Isso me atrasou um bocado mas consegui chegar a tempo para A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!).

É muito bom ver filmes assim no cinema porque eu não me sinto uma completa loser – assim como a moça me fez sentir por estar sozinha. Vi várias outras pessoas espalhadas, aguardando silenciosamente o início do filme. Dessa vez, a Rádio Trama não estava funcionando, e não pude ouvir pela décima vez a música que eu adoro e nunca consigo ouvir de quem é e aquela outra da Gal Costa.

Faltava uns 3 minutos para o filme começar e me entra uma mulher com 3 crianças. Eu me perguntei se era possível eles acharem que por causa da garotinha no cartaz isso era filme de criança. Burrice demais. Mas foi só começar a aparecer os nomes franceses que a turma toda se levanta e vai embora.

A comédia sem dúvida é fantástica. Os mais próximos sabem o quanto é difícil me fazer rir na frente de uma tela luminosa, mas era simplesmente impossível permanecer com lábios inertes diante dos disparates de François e do mau humor e constatações de Anne (que fez-me lembrar tão bem de mim mesma na minha infância).

O próximo filme foi Wall.e. Confesso: completamente atrasada, mas visto no cinema. A entrada é completamente diferente. Cinema lotado, cheio de crianças, pessoas ouvindo funk (já disse o quanto odeio esse celulares com mp3 baratos?) e tanta pipoca no chão. Depois de conferir perólas como crianças de coroas e boinas e ouvir um incrível diálogo sobre o cadarço do Adidas, começo a orar para que o cinema fique calado quando o filme começar. Mas percebo uma excelente qualidade em filmes com maioria infantil na platéia: são pequenos, e nunca tem um cabeção na minha frente.

Quanto ao filme, eu não vou perder muito meu tempo falando sobre ele porque todo mundo já babou, morreu, chorou e deu 5 estrelas. Eu, claro, chorei em menos de 10 minutos do filme. E nem preciso dizer que chorei de novo quando ouvi La vie en rose na voz de Louis Armstrong e me deparar com uma animação quase ecologicamente correta. Assisti a uma das comedias romanticas mais nerd possível (quer mais nerd do que se identificar com um robô?) e fiquei igual as crianças: vibrando e torcendo para wall.e conquistar eve.

Como se não bastaste, a Disney ainda me coloca um outro HAL no filme e me toca a música tema de 2001 quando o Capitão começa a andar! E nem preciso dizer que quase morri quando vi as pinturas estilo Van Gogh nos créditos finais. Com os girassóis! Pefeito.

No final, a combinação da comédia francesa e o draminha da Pixar provocaram tamanha poesia que demorei alguns minutos para digerir tudo isso. Tanto que não conseguir ouvir nada no trajeto de volta pra casa. Nem mesmo os Srs. Bird e Rice.

“O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

não tinha nada melhor para hoje.

#1

Marrom é cor que só fica bonito em árvores mortas, com folhas caídas. Cai bem.

#2

Visão Metropolitana

Dois senhores de rua.
Um, parado próximo à ponte, apoiando ambas as mãos na cintura. observava o fluxo.
O outro, encostado em um pequeno arbusto, bradava sons inaudíveis, brindando o ar com o copo vazio. Erguia-o no ar e abaixava-o incessantemente.
Eu observava.

#3

Conversas de pai pra filha

“- Bob Dylan eu conheço, minha filha, eu não conheço são é (sic) esses zé-manés cantando as músicas deles, com essas calças tão apertadas… Deve ser pr’o sangue ir pr’o cérebro…”
“- … pra eles pensarem.”
“- É… vi no ‘Letra e Música'”.

#4

Tem dia que há tanta coisa pra registrar que eu fico com saudade dos dias parados. É raiva do cérebro lerdo.

E hoje eu percebi que só rouba-nos os que deixamos.

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