musica


Essa noite, não sei bem ainda porque, faltou luz numa região do meu bairro. Toda vez que falta energia, eu acordo imediatamente. Isso porque o ventilador para de girar. Daí, sempre levanto da cama e ando cambaleando para o quarto dos meus pais conferir se a energia realmente acabou ou meu ventilador pifou. Eu não sei porquê bem ao certo, mas sinto muita aflição de ficar sem energia elétrica. E me acalma imensamente saber que na rua de atrás tem luz. É como se o mundo não tivesse acabado por completo da escuridão. Coisas pra terapia individual, quem sabe.

Mas o que mais irrita mesmo é o barulho do silêncio. É nessas horas que se percebe o quando tem barulho em volta. Aquele zunido é de uma perturbação tão grande que eu tenho que tentar ao máximo não me concentrar nele.

Eu sou acostumada a ouvir. Seja lá o que for. Embora eu passe muito tempo em silêncio, ouví-lo não é para mim. Para minha profissão, esse ato de ouvir, escutar, é bastante importante e acabo exercitando isso demais, seja nos atendimentos, nas entrevistas, nas discussões, etc.

O problema – é que eu sempre vejo alguns problemas, percebeu? – é que, quando alguém ouve em demasia, acaba falando de menos. E eu, como todo mundo, que tenho 1 boca e 2 ouvidos, acabando falando/ouvindo na mesma proporção: 1/2. Se ouvir é um exercício, falar também é, e talvez eu esteja precisando de umas boas 3 séries de 30 para compensar a atrofia nesse músculo.

Eu até fico me perguntando o porquê de uma simples falta de energia momêntanea – porque durou menos do que 2 horas – me fez pensar tanto assim… talvez eu devesse bem comprar uns tampões de ouvidos e escutar o silêncio mais um pouco. Mas só um pouco, porque no resto, quem vai falar sou eu.

A falta de luz também me fez lembrar desse clip. É um clip gravado num local remoto (segundo procurei na web, em Greenland – Arkansas), que poderia facilmente ser caracterizado como silencioso, o que não é nem um pouco depois que eles começam a tocar. Gosto também do movimento e desaceleração.

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Se eu participasse disso um dia, realizaria um dos meus mais incríveis sonhos!

E é com essa que eu volto de excelentes férias!

ps: pra quem não sabe, isso é uma “releitura” de dois excelentes vídeos do youtube: o clássico Evolution of Dance 1 e Frozen in Grand Central.


Para ler ouvindo. E depois assistir.


Eu vou-me porque não quisera amar mais, desistiu dos sonhos, de tudo o que eu fiz. Enfrentei o que antes não me importava mais, aquilo que eu, tola, afoguei.

Não quisera mais dar-me filhos do amor. Os filhos do amor eram os beijos, o abraços, as mãos dadas no escuro, os risos nos olhos, as corridas ao lugares secretos…

Morri em mim mesma e esse é um adeus. Se eu fosse jovem, fugiria dessa cidade, beberia até morrer. Assisto eles rasgarem o silêncio de nosso acampamento. Começou a estação das caças aos amores Romeu & Julieta.

update: download da música aqui.

Quem está ansioso por Capitu? Assistam e depois me digam o que achou.

#1

Revelações noturnas a

Assistir tv de madrugada é bastante elucidativo, mas perturbador. Quando você ouve um teatro lotado de gaúchos berrando “ah!, eu sou gaúcho” com vontade realmente de ser separar do país, eu não sei se rio ou se choro. Perdoe-me os gaúchos. É, você mesmo. 😉

Revelações noturnas b

Conclusão de duas irmãs desoladas com o mundo musical. Você ouvir as belíssimas sílabas métricas de Charlie Brown deve ter feito Drummond dançar Créu no túmulo. Minha irmã resumiu bem: “o modernismo chutou o balde. Vinícius tentou ajudar, mas olha o que eles fizeram…”. A mim, só restou dizer que “já dizia Lulu Santos: ‘assim caminha a humanidade…'” e ela: “a passos de formiga e sem vontade”.

Revelação de última hora

Ela: porque ele faz sucesso se ele é feio, estranho e canta mal?
Eu: culpa do modernismo.
Ela: eu odeio o tropicalismo.

Acho que o movimento-antropofágico-pau-brasil tá de perna pro ar e repentinamente virou piada interna.

#2

Créu.

Sou
Nós

Sou nós
Sou só
Só nós
Sou nós.

Sou só nós.

Sou só eu ou essa música é linda demais? CD novo do Marcelo Camelo dispensa apresentações.

update: para os mais radicais, eu sei que isso não é um hai-kai, mas não consegui pensar em um nome melhor.

Tive um professor no semestre passado que dizia que, para sermos bons psicólogos, deviámos passar por várias situações, experimentar a vida, e aí conseguiríamos entender melhor as vivências de nossos pacientes. Ele recitava uma frase de uma canção que já não me lembro a melodia mais que dizia “você sabe o que é ter um amor, meu senhor, e por ele quase morrer?“. E eu sempre dizia por dentro “sim, eu sei”.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você realmente morrer, aquele que a Amy canta que morreu já umas cem vezes, mas que ao contrário da outra canção, as lágrimas não se secam por elas mesmas. Aquele que, bem diferente, faz chorar sempre sentada na pedra mais alta ao sol, tomando banho de vento, ouvindo o querido Mr. Rice sussurrando desesperado this has got to die, this has got to stop mas que você sabe que nunca vai conseguir colocar someone else on top.

Ter um amor e por ele quase morrer é aquele que você não vislumbra ser feliz nem em abril, em Paris, nem em outono no rio. Aquele que é quase impossível let in la vie en rose.  Aquele que te faz chorar com trilha sonora de filme da Disney e se emocionar relembrando frases decoradas de filmes, mesmo que eles não sejam romanticos…

Ter um coração partido é dolorido e belo: ao menos, me aproximo mais dos poetas. Para ser poeta – ou toda poesia – amores não correspondidos são necessários. Espanca que o diga.

O que me acalenta é que as coisas que eu não tenho para quem dizer ao menos servirá para alguma coisa. Aqueles queridos futuros pacientes poderão ter em mim o ouvido do amigo que foi embora. E quando eles perguntarem “você sabe o que é ter um amor, doutora, e por ele quase morrer?” eu vou poder sorrir e dizer “sim, eu sei”.

Ilustração: Tara McPherson

Todo bom amante de música que se preze ganha algumas horinhas on line atrás de novas bandas, sons, cantores e etc e tal. Eu, longe de ser diferente, acho que passo muito mais tempo no computador procurando preciosidades, deixando o bloglines acumular feeds sem fim…

Nessas caçadas, acabei achando essa dupla que faz um som que eu classifico, sei lá, como… fofo. Fofo como Agnes Kain ou Au Revoir Simone. O climinha lo-fi permanece durante todo o cd, que acaba rapidinho, dando vontade de apertar o play e ouvir tudo de novo. Um primor, como o nome sugere.

E então? Acreditou? Na verdade, o Primeau não existe, e é uma pena. Com essa capa de disco, com certeza estaria nas minhas listas de download. Esse meme vi no frufru e no mocinha falante, e fiquei com vontade de copiar. No primeiro blog você consegue saber como fazer o seu disco também. Caso faça e tenha blog, avise-me para conhecer as novidades.

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