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Não entendo porque praticamos certos hábitos que não nos levam a lugar algum. Hoje me peguei mentindo para uma total desconhecida, na fila do ônibus. Ela perguntou-me se eu tinha uma caneta e imediatamente lembrei-me da caneta cortesia de uma medicação qualquer que havia colocado em minha bolsa antes de sair. Mas, sabe-se lá porque cargas d’água eu respondi “não”.

Assim que ela respondeu “obrigada”, eu começei a pensar o porquê de eu ter soltado uma mentira tão boba e tão despropositada. O que ia interferir na minha vida dizer “sim, eu tenho uma caneta, toma aqui”? Nada.

O mais engraçado é que em situações aonde eu teria uma “razão” para mentir eu falo a verdade, mesmo que isso me leve a punição. Acho que o meu problema é que nessa minha dicotomia de querer estar distante e ao mesmo tempo perto me faz perder a noção de quem manter perto e quem manter longe. E aí, num descompasso de comportamento evito um contato, mesmo que frívolo, com alguém que a única coisa que fez foi me dá um sorriso sem querer nada em troca.

Não sei que tipo de relacionamento quero e espero das outras pessoas de mim. Mas só me lembro de um frase que li a muitos anos, em um livro da Maitena: “pessoas inalcançáveis nunca são alcançadas”. Parece óbvio, mas preciso aprender isso.

Ilustração: Moidsch


Para ler ouvindo. E depois assistir.


Eu vou-me porque não quisera amar mais, desistiu dos sonhos, de tudo o que eu fiz. Enfrentei o que antes não me importava mais, aquilo que eu, tola, afoguei.

Não quisera mais dar-me filhos do amor. Os filhos do amor eram os beijos, o abraços, as mãos dadas no escuro, os risos nos olhos, as corridas ao lugares secretos…

Morri em mim mesma e esse é um adeus. Se eu fosse jovem, fugiria dessa cidade, beberia até morrer. Assisto eles rasgarem o silêncio de nosso acampamento. Começou a estação das caças aos amores Romeu & Julieta.

update: download da música aqui.

Quem está ansioso por Capitu? Assistam e depois me digam o que achou.


Le Petit Prince
Upload feito originalmente por Daniel Nérso

“Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo… […] Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

[…]

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo …
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
– Por favor… cativa-me disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo,
cativa-me!”

Leitura obrigatória a todo ser humano que ama. clique aqui:

Oi, azar todo seu de me conhecer. Meu nome verdadeiro é Laís, mas eu tenho mais pseudônimos do que poeta/escritor famoso: Lá, Lalá, Lacan, Laiana, Estranha, Gorda (não pergunte)… antes que fique estranho, melhor parar por aqui.

Eu sou mais sexy do que confiável, segundo meus amigos de orkut. Acho isso uma baixaria.

Eu nasci com ínumeras práticas totalmente desapropriadas de sentido mas que, ao não fazê-las, tudo fica sem sentido mais ainda. Então exemplos aqui demonstrariam demais como minha mente sã funciona. Mas toda minha família é neurótica. Somos tão neuróticos e sentamos à mesa todos os dias nos m-e-s-m-o-s lugares. Mesmo que aquele que senta no lado esquerdo não esteja na mesa. Não importa. Neurose.

Pra quem cursa psicologia, eu sou doida o suficiente. Minha irmã acha que o único hit na vida do Michael Sembello é a minha música. Vai saber.

Música, aliás, é um problema. Eu fico triste quando algo que eu escuto não vai pro last.fm. Não passo uma semana sem ouvir um artista novo porque eu enjoo fácil, e não passo uma semana sem ouvir àqueles que eu amo, porque sou apaixonada.

Sou uma artista frustada porque eu nunca consegui pintar um quadro realmente bom, daí preciso me contentar contemplando as preciosidades dos outros.

Se eu pudesse ser outra pessoa, eu seria várias. Mas seria toda a Audrey Hepburn.

Sei imitar a Maísa com semi-perfeição e adoro quem sabe imitar o Pato Donald.

Até eu mesmo não sei como eu consigo achar os videos mais retardados do Youtube e o porquê de ter dois e-mails e dois comunicadores instantâneos.

Nunca entendi porque o indie virou brit-rock, indie agora é alternativo, porque raios acham que eu sou emo e porque as pessoas insistem em comer jaca.

E quando eu terminar a faculdade, eu vou me aposentar, porque já trabalhei demais.

Eu apaguei no perfil, mas não queria perdê-lo. Usando o blog como arquivo, sabe como é…

Quem observava aquele moço dormindo na calçada, envolvidos em farrapos não acreditaria se eu lhe dissesse que aquele pobre homem um dia havia sido um homem de negócios. Daqueles de terno e gravata, com barba feita e perfume importado. Daqueles com um carro de ar condicionado e direção hidráulica, bem sucedido e sem amor. O típico empresário.

Não era satisfeito porque havia falta. Sentia dor no pobre coração, que pulsava acelerado na academia às dez horas da noite, o único horário que havia disponível. Não tinha amor.

E por não ter amor, começou a andar distraído, olhando para o céu, admirando o seu infinito azul. Descobriu sozinho que o céu não é só azul e que as nuvens não só são brancas. Há cores nas nuvens, e nelas via branco, cinza, amarelo, laranja, vermelho… assim como o namorado descreve com precisão os olhos da namorada, esse homem conseguia esmiuçar as cores do céu.

Mas o céu, por ser muito longe, era paixão platônica demais, e o pobre coração batia sofrido calado no peito. E de tanto olhar para o céu, os pés perderam o caminho e tropeçaram na calçada sendo reformada próxima aonde seu carro estava estacionado. Na noite, aquele homem contemplou o asfalto.

O asfalto a luz da noite brilhava com tantos pontinhos luminosos dos reflexos das estrelas e da luz, dos faróis do carros e do semáforo que lembrou-se instantaneamente da cantiga que ouvia na sua infância. Cantarolou “se essa rua, se essa rua fosse minha…”.

Tomado de tamanha compaixão, decidiu morar por ali. Não sei que pensamentos lhe ocorrem naquele instante e quando o perguntei mais tarde, só me disse: apaixonei.

E desde então, dorme os dias quentes na calçada e permanece acordado a noite, suportando o frio contemplando sua luminosa amada.

Por não alcançar os céus, preferiu manter os dois pés no asfalto e se entregar.

* Inspirada na canção “Ana e o mar”, do Teatro mágico. Você consegue ouvi-la e adquiri-la gratuitamente aqui.

Hoje muitos teimam que não passa um dia inventado pelo capitalismo para se comprar presentes. Bem absurdo reduzir qualquer dia propício a manifestação de amor/carinho a consumismo desenfreado. Aqueles que acreditam nisso, nem deveriam ter namorados.

Vi hoje em um programa esportivo que o dia 12 é um dia de “renovação do amor, mais uma data para renovar votos”. Acho totalmente válido. A universidade está vazia porque pessoas muito mais felizes estão nesse momento de entregando à carinhos e deixando-se serem amados. Esses são mais felizes…

Eu não tenho dor de cotovelo por estar sozinha hoje, mesmo desejando ter o alguém ao meu lado. Se você tem, o que raios você ainda está fazendo lendo isso aqui?

Àqueles que são mais felizes. Amem demais.

Existe um cachorro na minha rua.

Ele, sem dúvida, é o cachorro mais livre que eu já vi em toda a minha vida. Ele nunca está preso a uma coleira e raríssimas vezes o vi trancafiado em sua casa.

Todo os dias, enquanto caminho em direção ao ponto de ônibus próximo da minha casa, via-o bisbilhotando a rua. Passava ao meu lado sem me dar a mínima. Não queria gratificação, nem respeito. Ele só queria mesmo era estar ali nas redondezas.

Quando atravessava a rua, olhava para os dois lados. A pista estava vazia. Então ele simplismente desfilava até o outro lado. Se surgia algum automóvel na pista, ele acelerava o passo e dava os seus pulinhos graciosos. Aqueles que cachorros bonitos sabem dar.

Quando eu chegava perto dele, ou qualquer outra pessoa, ele não se movia. Ele não tinha medo. Ele esperava. Acho que não temia se o próximo movimento ia ser um afago ou um safanão nas orelhas. Ao contrário de muitos de nós, ele esperava pelo outro.

Nunca vi o tal cachorro metido em latas de lixos. Quando tomava banho, ele ficava imóvel na calçada de sua casa e esperava enquanto o dono ensopava-o de água e sabão.

Já faz alguns dias que não o vejo e agora em sua antiga casa reside um outro cachorro. Um bem diferente, porque esse é daqueles alegrinhos. Vai ver que de tanto passear ele acabou indo, indo, indo até se perder de vez, como muitos de nós gostaríamos de fazer.

Ele deve estar bem, pois sabia se cuidar. E mal saberá um dia que existe um texto só pra ele o tal do cachorro da minha rua.

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